Políca reprime greve<br>na Universidade de Porto Rico
Em greve há uma semana, os estudantes da Universidade de Porto Rico manifestavam-se, no dia 20 de Dezembro, no campus de Rio Pedras, quando a polícia os atacou à bastonada. Grupos de agentes que já ocupavam o campus guardando todos os acessos, impediram os alunos de fugirem para as ruas contíguas, não lhes deixando outra hipótese senão forçar a entrada no novo edifício situado na praça universitária. As forças repressoras seguiram os alunos espancando-os brutalmente. Pelo menos quatro acabaram hospitalizados e outros 12 foram detidos.
Vídeos mostram jovens deitados no chão a ser atacados por três e quatro polícias. As mesmas imagens revelam igualmente o estudante Ian Camilo a gritar pelo megafone «nem a polícia nem o corpo de intervenção vão impedir os protestos», e alguns colegas a responder que não se rendiam.
A paralização na Universidade de Porto Rico iniciou-se a 12 de Dezembro. Um dia depois, cerca de 15 mil pessoas marcharam pelas ruas de San Juan até à residência oficial do governador. Na manifestação, os estudantes exigiram a eliminação da nova propina, no valor de 800 dólares. A ser imposta esta taxa, 10 mil alunos podem vir a abandonar a Universidade, argumentam.
Na última Primavera e Verão, os estudantes ocuparam a maioria das 11 faculdades da ilha garantindo a vitória da sua luta. A administração da universidade cedeu em não privatizar as instituições e suspendeu a aplicação da nova propina, mas o governo começou, imediatamente, a romper o acordo.
Numa manobra política, o governador Luis Fortuño aumentou o número de membros do conselho de administração da Universidade de Porto Rico de 13 para 17, colocando quatro gestores contrários ao compromisso anteriormente assumido. Os estudantes prometeram continuar a luta, e agora cumprem a sua palavra.
Fortuño é um neoliberal que desencadeou uma investida de classe contra o povo portoriquenho. Quer a administração da Universidade quer a administração da ilha desculpam-se com a crise económica global e o défice das finanças do protectorado para atacarem o ensino público, dizendo que não há dinheiro. Os alunos reagiram apresentando um plano de salvamento da instituição, mas a administração nem a chegou a apreciar.
Os portoriquenhos, por seu turno, também estão em luta. A luta dos estudantes goza do apoio popular e dos agentes educativos, que vêem a luta dos universitários não apenas como dizendo respeito aos interesses dos alunos, mas no interesse de todos no quadro da defesa dos postos de trabalho e dos serviços públicos.
Ampliar a luta
A 13 de Dezembro, Giovanni Roberto, um líder estudantil do campus de Rio Pedras, sublinhou a diferença da actual luta com a desenvolvida entre Junho e Julho. «O cenário é completamente novo. Neste momento, as entradas para o campus ou não têm portões, ou têm os portões soldados. Existe muita polícia em quartéis móveis no interior da Universidade, e fala-se amiúde em instalar câmaras de vigilância. Este é o seu modo de operar, que não apenas demonstra o carácter de classe da administração como nos obriga a outras formas de luta».
Não podemos, portanto, ficar concentrados nas entradas do campus ou fazer barricadas nos acessos. Esta terá de ser, portanto, uma greve móvel, por exemplo com a realização de iniciativas que chamem à solidariedade do povo para com o que está a acontecer na Universidade, explicou.
Desde então, a luta tem sido desenvolvida em várias partes da cidade de San Juan, transformando as tradicionais paradas festivas em manifestações políticas, como a que terminou frente ao escritório de advogados contratado pela administração para preparar o processo de privatização da Universidade.
O ano escolar iniciou-se a 23 de Dezembro, mas os estudantes pretendem juntar as respectivas famílias a dirigentes e activistas sindicais e de organizações sociais numa caravana que percorrerá os 78 municípios da ilha, acção que procura ampliar o apoio à luta em defesa do ensino público.
«Julgo que a luta dos oprimidos em todo o mundo é semelhante. Esses laços existem mesmo que não se expressem em coordenação prática das acções. Se outras lutas forem desenvolvidas em vários países, a ofensiva global do capitalismo contra o ensino público tornar-se-à mais fraca», considerou Roberto.